Oportunidades no mercado de informática
Em março de 2007, o empresário Mateus Proto abriu a Drive IT, uma empresa de tecnologia cujo foco é atender o
micro e pequeno empresário
Site Pequenas Empresas Grandes Negócios – Outubro de 2008
http://pegntv.globo.com/Pegn/0,6993,LBS330399-5186,00.html
O trabalho da equipe de Proto vai além da simples manutenção dos computadores. O grande diferencial é elaborar soluções na área de tecnologia da informação para os pequenos empresários, que geralmente não têm como pagar pelos projetos das grandes empresas de TI. “O nosso maior desafio é conciliar uma tecnologia que resolva o problema do cliente e que, ao mesmo tempo, seja financeiramente viável”, avalia Proto.
Hoje 90% do faturamento da Driveit vem das micro e pequenas empresas. Segundo Proto, o mercado é bom, já que existem quatro milhões de empresas desse porte no país. “Se o cliente cresce, nós crescemos junto”, explica. O empresário conversou com o site do Pequenas Empresas e Grandes Negócios e falou mais sobre o promissor mercado da informática.
Como surgiu o seu negócio?
Eu percebi uma necessidade no mercado de empresas de tecnologia da informação que atendessem as micro e pequenas empresas. Havia uma carência nessa área. As grandes empresas fornecedoras de serviços de TI geralmente têm um custo alto. Então, decidi fazer uma assessoria a um custo acessível, e os clientes foram aderindo à idéia. O micro empresário não tem tempo de cuidar da área de tecnologia porque precisa se dedicar ao negócio. A nossa proposta é ser um departamento de TI dentro das empresas e fazer a manutenção, cuidar do servidor, criar sistemas, dar soluções, tudo dentro do orçamento.
Que soluções são essas?
A primeira solução é a estratégica. Nós orientamos quais investimentos na área de tecnologia e qual infra-estrutura o cliente deve ter. Nós dizemos qual o sistema, a rede e o servidor ele deve escolher e avaliamos como deve ser feita a comunicação com clientes e fornecedores.
Outra solução é dar assessoria nos projetos. É colocar em prática aquilo que pensamos ser o ideal para a empresa. Além disso, nós damos suporte, fazendo a manutenção de sistemas, servidores e máquinas. Por fim, realizamos o treinamento dos funcionários no sistema implantado.
Você trabalha com uma equipe pequena. Como vocês dão conta de atender todos os clientes?
Nós trabalhamos na contra-mão do mercado. Eu não ganho dinheiro fazendo suporte. O cliente olha torto quando precisa gastar com manutenção porque esse é um investimento que ele já fez. Então a Driveit se foca na melhorias dos sistemas. Quando conquistamos um cliente, fazemos um esforço para colocar a casa em ordem, já que geralmente as redes têm muitos defeitos. A partir daí, só fazemos projetos de melhorias.
Como os maiores problemas já estão resolvidos, é possível ter uma equipe pequena alocada no escritório e que atende remotamente vários clientes ao mesmo tempo. Quando você vai até o cliente é porque alguma coisa não pode ser resolvida dessa forma. A gente trabalha assim porque disponibilizar uma pessoa para ficar alocada na empresa é muito caro. A micro empresa não pode pagar e a Driveit não consegue ganhar em volume. De qualquer forma, ficamos sempre disponíveis na hora em que o cliente precisa. A dedicação é total.
O que mais te surpreendeu nesse negócio?
Antes de montar o negócio, fiz um planejamento. Eu achava que a manutenção seria o meu carro-chefe. Mas percebi que quando o problema é resolvido você não é mais chamado. Eu vi que não era esse o caminho, mudei o foco e deu resultado. O que acontece com as empresas de TI que só fazem manutenção é que elas sempre deixam um trabalho por fazer para serem chamadas no mês seguinte. Isso é ruim. Por isso, resolvi investir mais na parte das soluções em TI.
Mas em algum momento o trabalho nessas empresas não vai se esgotar?
Eu também me pergunto isso. Então, eu acho que é possível manter o negócio porque todos os clientes têm muitos projetos de melhoria para serem feitos. Mas como não têm dinheiro, fazem aos poucos. E ainda existem aqueles clientes que têm mais recursos para investir e a gente faz as melhorias de uma vez. Mas não perdemos o cliente porque ele cresce e nós crescemos junto. Se ele dobra de tamanho, ele vai precisar dobrar a sua capacidade de servidores e sistemas. Então vai precisar de uma dedicação ainda maior da nossa parte.
Três milhões de computadores foram vendidos no primeiro trimestre de 2008. O mercado está aquecido e concorrido. Como conquistar clientes?
Na minha empresa foi no boca-a-boca. Sempre tem alguém que dá a primeira chance para a gente mostrar o serviço. Se o trabalho é bem-feito, vem a indicação para novos clientes. Eu acho que o nosso propósito também é um diferencial porque a nossa idéia é mostrar como a tecnologia da informação pode ajudar a empresa do cliente a crescer. Nosso maior desafio é conciliar uma tecnologia que resolva o problema dele e que, ao mesmo tempo, seja financeiramente viável. Soluções não param de ser lançadas no mercado, mas todas são muito caras.
Qual é a maior dificuldade enfrentada pelo seu negócio?
A questão do crescimento é o principal desafio. Nós temos sempre o dilema: como crescer mantendo a qualidade. Não adianta ter o crescimento exagerado, porque isso vai demandar uma equipe muito grande e eu não vou conseguir arcar com o custo fixo. Também não adianta crescer sem conservar uma equipe bem estruturada e eficiente. A maior dificuldade é saber a hora de dar o próximo passo. Mas as perspectivas são boas. A nossa meta é triplicar ou quadruplicar o número de clientes para o ano que vem.
Você acha que há espaço para todo mundo?
Dados do Ibge apontam a existência de 4 milhões de micro e pequenas empresas no país. Portanto, há espaço para todo mundo que trabalha bem.
Qual dica você daria para alguém que quer entrar nesse ramo?
A primeira é gostar do que faz. Não adianta entrar pensando só no retorno financeiro. Se for assim, talvez desista logo. A nossa profissão é um pouco como a dos médicos, precisa estar sempre atualizado e disponível para atender o cliente a qualquer hora, inclusive no fim de semana. Se engana quem pensa que o investimento será só em notebooks. É necessário estudar muito. Eu leio cerca de cinco livros de tecnologia por mês, sem falar em revistas. Eu tenho que estar por dentro das informações sobre os lançamentos dos principais fornecedores. Tudo isso para ter as respostas na ponta da língua quando o cliente me perguntar alguma coisa. Eu preciso dar as soluções.